6 de junho de 2008

Batman em japonês


Homenagem ao centenário da imigração japonesa

Teclando com a galera do UOL




(09:05:26) Sílvio Ribas entra na sala...
(09:05:51) Sílvio Ribas: Boa noite!!
(09:05:53) Moderador UOL: Olá, Sílvio! Vamos começar.
(09:06:17) Sílvio Ribas: Ok
(09:07:07) <:jéssy hoppus:> fala para Sílvio Ribas: Eu queria saber qual o melhor ator se encaixou no Batman nos filmes pra você
(09:07:34) Sílvio Ribas: Sem dúvida é o Chris Bale.
(09:07:39) Moderador UOL fala para Sílvio Ribas: Sílvio, por favor, escreva na resposta o nome de quem pergunta. Isso facilita a leitura do papo.
(09:07:45) Juninho fala para Sílvio Ribas: Sílvio, você acompanha a atual fase das HQ do Batman. O que você acha?
(09:08:23) Sílvio Ribas: Juninho, acompanho sim. Acho que estamos vivendo um período de transição
(09:08:39) Marcmass fala para Sílvio Ribas: Boa noite Sílvio. Primeiramente, gostaria de saber qual sua opinião sobre o último filme "Batman Begins" O que você achou de positivo e negativo nessa adaptação
(09:09:47) Sílvio Ribas: Marcmass, o legal foi ter começado tudo do começo. O enredo respeitou os fãs e uma nova fase de Batman no cinema começou. De negativo, nada por enquanto
(09:09:47) prodígio fala para Sílvio Ribas: do que fala o livro??
(09:10:43) Sílvio Ribas: Prodígio, o livro é o mais completo guia disponível sobre Batman. Lá, escrevi 1,5 mil verbetes relacionados ao personagem. Tem quase tudo. É fruto de uma longa pesquisa como fã e jornalista
(09:10:56) DubladorSP pergunta para Sílvio Ribas: É realmente necessário "refazer" os Batman no cinema?
(09:11:54) Sílvio Ribas: Todo filme que adapta personagem dos quadrinhos muda alguma coisa. No caso de Batman, foi preciso começar do zero para dar sobrevivencia à franquia
(09:12:07) Balde de Catarro fala para Sílvio Ribas: Eu gostaria que você falasse mais sobre o seu livro e como foi produzido. Você pegou todos os 66 anos da cronologia do Batman???
(09:13:02) Sílvio Ribas: Sim, Balde. A cronologia é, sem modéstia, a mais completa existente. Nela, estão todas as versões do personagem.
(09:13:26) BAT PINTO fala para Sílvio Ribas: POR QUE TANTAS VERSÕES DO MRCEGÃO?
(09:15:40) Sílvio Ribas: Balde, sobre a produção do livro, informo que tudo começou dos tempos de criança, juntando informações sobre Batman. Faz um ano que reúno dados de forma mais sistemática. O livro foi produzido apenas por mim, sem ajuda de uma equipe, o que seria até uma boa. Bat pinto, o Morcegão tem cinco filmes, duas series de TV (incluindo a Birds of Prey), cinco desenhos animados, 3 mil histórias e por aí vai...
(09:15:54) James fala para Sílvio Ribas: Você acha que aquela história do Batman e Robin terem um caso é factível?
(09:17:29) Sílvio Ribas: James Bond. Não é factível não. O que ocorre são interpretações incorretas do relacionamento dos dois heróis. Bruce Wayne reconheceu Dick Grayson como filho e qualquer outra visão dos dois é pura maldade, na minha opinião...
(09:17:46) Gezinho fala para Sílvio Ribas: Quanto custa o livro?
(09:18:01) Sílvio Ribas: Acho que tá em R$ 35 na Comix.
(09:18:17) Juninho fala para Sílvio Ribas: o que te fascina no Batman?
(09:19:40) Sílvio Ribas: Juninho, tenho dito que o legal de Batman é o fato dele ser herói sem superpoderes. Parece auto-ajuda, mas ele é o maior símbolo de força de vontade. Tudo que fez partiu do desejo de mudar sua vida e a realidade que o envolve.
(09:19:48) <:jéssy hoppus:> fala para Sílvio Ribas: Você prefere o Batman sem o Robin?
(09:20:47) Sílvio Ribas: Jéssy, Batman em si não precisa de Robin. Talvez a parceria seja boa quando o herói ficasse mais velho. Contudo, o menino prodígio faz parte do universo do Morcegão (09:21:04) James fala para Sílvio Ribas: Sílvio, como jornalista você saberia dizer se essa fanaticidade por um herói , tem suas compensações?
(09:22:26) Sílvio Ribas: James, gostar de produtos culturais é uma coisa boa, instiga nossa inteligência e sensibilidade. Limites são coisas que a razão nos coloca para não fugir do decente
(09:23:01) Marcelo fala para Sílvio Ribas: eu gostaria muito de aprender sobre o Batman como faço para adquirir o seu livro???
(09:23:09) Sílvio Ribas: James, garanto que, como jornalista, o livro explica essas coisas todas
(09:23:54) Sílvio Ribas: Marcelo, procure no site da www.comix.com.br ou no Submarino informações sobre o Dicionário do Morcego
(09:23:54) Gezinho fala para Sílvio Ribas: Por qual motivo esse livro se difrencia de outras obras já feitas?
(09:24:48) Sílvio Ribas: Gezinho, primeiro porque foi escrito em português. Depois, reúne análise, cronologia, fontes bibliográficas e, o mais importante, vem na forma de verbetes, fácil de navegar
(09:24:51) Marcelo fala para Sílvio Ribas: Você acha que a presença do Robin nessa nova fase do homem morcego vai estragar o lado sombrio do Morcegão???
(09:26:28) Sílvio Ribas: Marcelão, a presença de Robin não faz Batman deixar de ser o que é. Apenas cria novos contextos. Quando surgiu, em 1940, a função do menino prodígio era fazer o vingador mascarado ficar mais atento ao que acontecia ao seu redor para não deixar a violência fugir do controle.
(09:26:33) Bruce Wayne sp fala para Sílvio Ribas: O BATMAN JÁ TEVE FILHA? AQUELA SÉRIE "BIRDS OF PREY" CONTA A HISTÓRIA DE HELENA KYLE, A FILHA DO BATMAN, É REAL?
(09:28:16) Sílvio Ribas: Bruce Wayne de SP, Batman teve sim uma filha em uma história da chamada Terra 2. Ela era a Helena, filha da Mulher Gato. Contudo, a DC passou essa historia a limpo. Veja mais dados no verbete Caçadora, do meu livro, páginas 98 e 99
(09:28:29) Marcmass fala para Sílvio Ribas: O que você acha do novo desenho do Batman???
(09:30:36) Sílvio Ribas: Marcmass, o desenho criado por Bruce Timm nos anos 90 é considerado o mais importante da história. Para a maioria dos fãs (antes de Batman Begins), essa era a mais fiel versão do cavaleiro das trevas. Eu gosto muito, sobretudo da primeira fase. Se você está falando de The Batman, acho que é uma versão absolutamente nova, enriquecendo a historia do personagem
(09:30:36) DubladorSP pergunta para Sílvio Ribas: Em sua opinião, qual a "versão" em que Batman está melhor representado? Tanto em filmes, como em quadrinhos)
(09:31:46) Sílvio Ribas: DubladorSP, como já disse, o Batman de 1992 (desenho animado) era a melhor encarnação dele. Precisamos ver como a atual serie do cinema vai andar. Talvez ela supere a obra de Bruce Timm
(09:31:53) Nabuconozor fala para Sílvio Ribas: quantos filme do Batman existem
(09:33:30) Sílvio Ribas: Nabuconozor, existem cinco filmes da serie iniciada em 1989 (Tim Burton dirigindo). Se considerar o filme derivado da serie de TV, temos outro (1966). Nos anos 40, tivemos duas series para o cinema, com 15 episódios cada. Tá saindo em DVD
(09:33:42) Vanessa fala para Sílvio Ribas: O que você acha do Batman no desenho "Liga da Justiça" ?
(09:34:31) Sílvio Ribas: Vanessa, o mais interessante é ver que ele tem uma forte liderança sobre os demais. Mesmo sem ter superpoderes, o seu papel é decisivo em todas as situações
(09:34:46) Bolinho fala para Sílvio Ribas: Naquela Graphic Novel " o Filho do demônio " ele tem um filho com a filha de seu inimigo, aquilo esta dentro da cronologia do personagem ou é apenas um história...
(09:35:45) Sílvio Ribas: Bolinho, por muito tempo a DC deixou no ar essa história. O suspense só acabou recentemente quando a editora informou que O Filho do Demônio não pertencia ao curso oficial do Batman
(09:35:48) Gezinho fala para Sílvio Ribas: O quê você pensa de Bruce Wayne se aposentar e passar o manto do Batman ou para o Dick Grayson ou para o Tim Drake?
(09:36:57) Sílvio Ribas: Gezinho, na história Prodigal ele fez isso, passando o manto pro Dick. Mas foi apenas um quebra-galho. Batman não deve se aposentar tão cedo. Nos quadrinhos, ele tem uns 40 anos e está em boa forma
(09:37:02) Homem brinquedo fala para Sílvio Ribas: você acha que pode acontecer de haver um filme unindo Superman e Batman?
(09:38:19) Sílvio Ribas: Homem brinquedo, desde os anos 80 existem roteiros pensando na luta ou na parceria dos dois maiores heróis da DC Comics. Mas não vejo possibilidade disso rolar tão cedo. Um embate do tipo do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, seria muito interessante de se ver na telona
(09:38:25) mimi fala para Sílvio Ribas: tem mensagem subliminar por tras do Batman?
(09:40:02) Sílvio Ribas: Mimi, por mais gótico que ele tenha ficado nos anos 80, não acredito nisso. Mas como a criatividade humana é incontrolável, muito leitor ou espectador pode enxergar mais do que a mensagem de Batman traz. Quando eu era estudante de comunicação, viajei em teorias sobre a semiótica do personagem...
(09:40:18) Kennedy fala para Sílvio Ribas: uma vez fizeram uma versão onde o Robin era uma mulher, o que você achou?
(09:41:50) Sílvio Ribas: Kennedy, essa história está nas bancas do Brasil, um ano após sair nos EUA. Acho interessante ver a Stephani Brown como a Robin, mas acho que Batman prefere o Tim Drake. Em Cavaleiro das Trevas, de Miller, houve uma soldada vestida de Robin. Foi tambem enriquecedor para o universo batmaníaco
(09:41:58) VINAUM fala para Sílvio Ribas: o que tem no filme Begins que está na história oficial?
(09:43:01) Sílvio Ribas: Vinaum, da história oficial (leia-se quadrinhos), temos muito de Batman Ano Um e Cavaleiro das Trevas. De Batman Ano Dois, temos a inspiração para a namorada de Batman.
(09:43:14) Marcelo fala para Sílvio Ribas: você acha que a serie dos anos 70 estragou o lado sombrio do Batman?
(09:45:00) Sílvio Ribas: Marcelo, tenho dito que a série Batman (1966-1968) foi uma parodia engracadissima e uma graaaaande contribuição para a história da televisão. Muito inovadora no aspecto de texto e visual, a serie estrelada por Adam West e Burt Ward deixou saudades e fez o mundo de Batman ficar ainda maior.
(09:45:03) Juninho fala para Sílvio Ribas: Qual o seu vilão favorito?
(09:45:57) Robin fala para Sílvio Ribas: o que você acha de Batman ano um?
(09:45:59) Sílvio Ribas: Juninho, a pergunta parece-me difícil. Mas não dá pra fugir do Coringa. Ele sempre será o maior desafio pro Morcegão. A briga dos dois é no pessoal
(09:47:27) Sílvio Ribas: Robin, é a história oficial do começo de Batman. Acho só curioso a forma como o morcego estilhaça uma janela para inspirar Bruce Wayne a se tornar uma criatura da noite. Foi um pequeno exagero. Os desenhos de Mazzucheli são ótimos e ajudaram a compor o visual de Batman Begins
(09:47:32) Robin fala para Sílvio Ribas: o que você achou da saga Silêncio?
(09:48:31) Sílvio Ribas: Robin, Silêncio foi um dos maiores sucessos da história dos quadrinhos. Tem uns exageros lá, mas acho que ajudou a entender um pouco mais da infância de Bruce Wayne e jogou luz na relação de Batman com a Mulher-Gato.
(09:48:39) BRUCE WAYNE SP fala para Sílvio Ribas: Quando Batman chegou mais perto da morte?
(09:49:27) Érica Fraga entra na sala...
(09:49:38) Érica Fraga: oi
(09:49:53) Sílvio Ribas: Bruce Wayne de Sampa, ele quase morreu nas mãos de Bane (que o deixou paralítico), do KGBesta (que bateu muito) e do demônio Etrigan. Mas também houve outras situações de muito risco. Ele até saiu de um coma
(09:50:01) cuco pergunta para Sílvio Ribas: você acredita que o Batman foi criado para ser um herói Americano ou mundial?
(09:50:05) Sílvio Ribas: Oi, Érica.
(09:50:15) Moderador UOL fala para Érica Fraga: Olá, Érica. Para que ninguém nos veja (pois está acontecendo um bate-papo agora) peço que fale comigo no reservado.
(09:50:49) Sílvio Ribas: Cuco, hoje ele é um herói universal. Vive nos EUA e tem muito de americano, mas não é um propagandista do american way of life
(09:50:52) Bruno do centro fala para Érica Fraga: para você como jornalista em sua vista ... o Batman e o melhor agora do os anos anteriores
(09:50:58) Érica Fraga sai da sala...
(09:52:21) Sílvio Ribas: Bruno do centro, acho que Batman hoje esta tão bom quanto antes. A época influencia nas histórias, mas o que vale é o espírito e as motivações dele. O filme mostra muito bem isso e os quadrinhos também
(09:52:23) Coringa fala para Sílvio Ribas: o que você acha do filme Mulher Gato, puro oportunismo de Hollywood?
(09:54:27) Sílvio Ribas: Coringa, o filme foi um reinterpretação da Mulher Gato. Acho que ela merecia um filme, sim. Mas fugiu muito do que o universo Batman diz sobre ela, apesar da belíssima Halle Berry. Gostei muito do extra no DVD, com todas as atrizes falando sobre o papel da vilã
(09:54:33) Charles fala para Sílvio Ribas: uma pergunta. e os atores do Batman do anos 60, o que aconteceu com eles?? Adam West e...
(09:56:21) Sílvio Ribas: Charles, o Adam West completará em 2006 exatos 40 anos como Batman. Ele sempre viveu da sombra do personagem. A diferença é que de uns anos para cá ele se tornou um ícone da cultura pop em si mesmo. O Burt segue na mesma linha, mas tem outros negócios próprios, como adestramento de cães e vídeos para adolescentes
(09:56:24) Leleco fala para Sílvio Ribas: E o Azrael? Será que encaixaria num filme do Batman? Como você vê isso?
(09:57:11) Sílvio Ribas: Leleco, Azrael perdeu espaço nos quadrinhos desde que deixou de ser Batman postiço. Não acredito que ele possa surgir no cinema tão cedo
(09:57:33) Boy_15a_CAM fala para Sílvio Ribas: você acha que após Batman Begins, que nos deixa eu final bem definido, haverá outros filmes ou este apenas estabelece um começo para a saga, sem mais nenhum filme?
(09:58:42) Sílvio Ribas: Boy, os atores e diretor do filme em cartaz assinaram contratos para mais dois longas. Tudo indica que a produção já está em curso e a aposta do estudio é fazer o sucesso atual render ainda mais.
(09:58:59) Coringa fala para Sílvio Ribas: Sílvio, um dos atributos que eu mais aprecio no Batman são suas habilidades de detetive. Você acha que esse tipo de história que faz sucesso nos quadrinhos poderia atrair o grande público no cinema?
(10:00:20) Sílvio Ribas: Coringa, como disse, o cinema não consegue colocar tudo dos quadrinhos na telona. Muita coisa precisa seguir o ritmo de Holywood. Mas esse aspecto já foi explorado em Batman Begins e deverá continuar nos próximos, dosando com muita ação e visual dark
(10:00:34) Bob Kane fala para Sílvio Ribas: Gostarai de saber que ator você vê como um possível Batman para uma versão filmada de Cavaleiro das Trevas. Eu sempre pensei no CLint Eastwood..:-)
(10:01:58) Sílvio Ribas: Bob Kane, Clint Eastwood sempre foi lembrado para esse papel por ser um dos maiores duroes do cinema, embora hoje seja velho demais para vestir a capa. O Kurt Russel pode ser uma opção
(10:02:15) Moderador UOL fala para Sílvio Ribas: Sílvio, só mais uma... Daí, encerramos.
(10:02:15) Gustavo Amaral fala para Sílvio Ribas: Sílvio, você acredita que com o lançamento deste novo filme do Batman os quadrinhos se tornarão mais populares, ou continuarão marginalizados?
(10:03:35) Sílvio Ribas: Gustavo, os quadrinhos continuam firmes no século 21. Acho que se trata de uma arte vigorosa, que abre muitos caminhos para a criatividade. Tudo começou nas revistas e de lá deverão sair muitas outras novidades. Um abraço para todos e LEIAM O MEU LIVRO!
(10:03:55) Moderador UOL fala para Sílvio Ribas: Sílvio, faça suas últimas considerações, por favor.
(10:05:09) Sílvio Ribas: GALERA, gostei muito de nosso BAT-PAPO. Foi uma experiência legal e espero que curtam as aventuras do Morcegão nas telas e nas páginas. Boa noite!
(10:05:39) Moderador UOL fala para Sílvio Ribas: Sílvio, muito obrigado. Espero que tenha gostado do papo. A conversa foi um sucesso. Mais de 640 pessoas.
(10:06:03) Sílvio Ribas: Valeu, UOL
(10:06:24) Moderador UOL fala para Sílvio Ribas: Obrigado, Sílvio. Até a próxima.
(10:06:55) Moderador UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Sílvio Ribas e a participação de todos os internautas. Até o próximo!

Participaram: 648 pessoas.

Entrevista ao site Gotham City

fonte: www.gothamcity.com.br

Como foi a gênese da obra Dicionário do Morcego? Qual foi a parte mais árdua do processo?

O livro é resultado de um sonho antigo, que eu mantinha por mais de dez anos, desde os tempos da faculdade (Jornalismo – PUC Minas). Eu participava de um fã-clube de Batman por correspondência, o Correio Gotham, com sócios de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Propus ao grupo que elaborássemos um glossário sobre o universo do herói, ficando eu responsável pela compilação dos dados fornecidos por todos. O projeto não foi adiante devido às dificuldades daqueles tempos pré-internet e as contingências da vida de cada um. Guardei a idéia comigo até que meu amigo e ex-colega de Gazeta Mercantil Gonçalo Júnior, maior especialista em quadrinhos do Brasil, me incentivou a retomar o trabalho, que era apenas um arquivo Word no meu computador. A proximidade do filme Batman Begins também ajudou a viabilizar o Dicionário do Morcego. Foram dez meses de pesquisa e análise sobre o material que tinha acumulado por anos. O mais difícil foi cruzar informações de origens distintas para se chegar ao resultado mais preciso possível.

Os brasileiros têm uma identificação muito grande com o Batman. Em que você acredita que é baseada essa admiração?

A simpatia de brasileiros pelo homem-morcego é a mesma encontrada em outros de vários outros países. O jeito de expressar é que muda de lugar para lugar. Temos no Brasil grandes conhecedores e colecionadores de revistas e objetos do personagem, alguns deles entre os maiores do mundo. Como o universo de Batman é vasto e variado, também existem razões para essa admiração com níveis e focos mais específicos. Um exemplo é o pessoal que cultura mais a série dos anos 60 ou aqueles que gostam do Batman dos quadrinhos criado pela dupla Jim Lee e Joseph Loeb. O ponto em comum a todos é o interesse por um herói d ficção que não tem super-poderes e vence os inimigos usando de obstinação e inteligência.

No documentário que você produziu sobre o Batman, baseado em estudos de semiótica, o que você notou que mais marca o personagem para a cultura brasileira?

Não. O vídeo que produzi nos anos 90 era uma mistura de biografia do personagem que acabara de completar seu cinqüentenário e a análise dos símbolos que sua mitologia carrega. Como personagem multimídia e de grande exposição pela indústria cultural, ele atinge públicos os mais diversos em todo o planeta, que o interpretam também de formas variadas. Deixei de citar no documentário e no dicionário referências legais do personagem na música popular brasileira, por exemplo, como Batmakumba, de Gilberto Gil. Uma citada no livro é Gotham City, canção de Jardes Macalé. Em resumo: tal qual Beatles, o morcegão influenciou nossa cultura moderna sim.

No livro você conta que quando criança, sem o atual requinte da indústria de brinquedos, a meninada improvisava as brincadeiras inspiradas na série de TV. Para a geração de hoje é possível criar aventuras lúdicas com Batman?

Acredito que sim. A criatividade a que eu e outros meninos da minha época tínhamos era fruto da imaginação fértil com um número menor de produtos oferecidos pela indústria brasileira de brinquedos e licenciados pela DC Comics. Além disso, a diferença entre os preços dos bonecos, carrinhos, joguinhos e outros bat-apetrechos e a renda dos nossos pais era maior que a de hoje. Também não havia tanto videogame ultra-realista quanto hoje. O fato é que basta um garoto vestir a máscara de Batman e sair pela rua para brincar de super-herói. Ele também cria enredos para os modelos de plástico que tiver em mãos. É preciso estimular essa triangulação saudável entre brinquedos, criança e imaginação.

Batman passou por várias mudanças estéticas. Para você qual estilo agrada mais aos batmaníacos brasileiros?

Como disse anteriormente, por ter apresentado em 67 anos de história tantas faces e fases, Batman oferece a versão preferida para cada fã. Mas tem muitos, como eu, que gostam de analisar e curtir todos os estilos do personagem, tentando conhecer a complexidade de sua história. Esse gosto pode depender da faixa etária. Acredito, por exemplo, que os adolescente estão delirando com a versão irada do The Batman (O Batman), que chegou à terceira temporada na TV. O Batman do desenho animado do início dos anos 90 é a versão mais aplaudida pelos fãs mais fiéis. Batman Begins também é praticamente uma unanimidade.

Como jornalista você é habilitado de uma série de conhecimentos e teorias sobre a mídia para estudar Batman. Foi difícil abandonar o lado fã para escrever o Dicionário do Morcego?

Não foi difícil. O livro é uma obra explicitamente de fã e direcionada aos fãs. Contudo, creio que ela extrapola esse círculo e pode servir de fonte de pesquisa para especialistas em áreas diversas, admiradores ou não de Batman. Não é mesmo uma obra imparcial e nem teria porque ser diferente. Mas por ter sido escrita por um aficionado, ela tem a consistência própria de uma pesquisa naturalmente profunda. Costumo dizer que não há fonte de pesquisa melhor do que os fãs e fãs-clube porque eles não deixam escapar nada, estão de olho em tudo, permanentemente. São guardiões especiais de relíquias, datas, nomes, lugares, recortes de jornal, fitas de vídeo, longos textos na Internet, fotos ao lado de artistas, livros e sinais indiretos sobre o objeto pesquisado. A paixão é um combustível valioso para se tocar grandes empreitadas. O fã faz do seu prazer um trabalho proveitoso.

Dentre as diversas adaptações do personagem, passado por diversas fases da história mundial, qual mais lhe atrai?

Sem dúvida, a soturna versão produzida por Bruce Timm para os desenhos animados tem muito da “essência” do héroi. Batman Begins também me agradou muito. Os desenhos de Jim Aparo e Norm Breyfogle também me marcaram muito.

A tecnologia e o dinheiro são dois aliados de Batman. O que seria dele sem essas armas?

Certamente não seria o Batman que conhecemos. No máximo, ele seria apenas um vigilante que acabaria caindo numa emboscada dos bandidos ou da polícia, sendo chacinado ou linchado. De todo jeito, seria um herói porque seu coração é piedoso e a sua força de vontade lhe deu músculos, destreza e firmeza de propósito. Poderia virar um líder comunitário, um professor voluntário ou um defensor daqueles que lutam contra as injustiças das ruas. Em resumo: dinheiro é fonte de poder, mas sem propósito e uma dedicação hercúlea, Batman não seria possível nem dentro nem fora dos quadrinhos.

Depois de polêmicas, idas e vindas, onde estaria Robin hoje, se dependesse de você?

Para o modus operandi de Batman hoje, Robin é desnecessário. O Morcegão se comporta sempre como auto-suficiente e pode liderar exércitos inteiros. Mas, apesar de tudo isso, devo dizer que o menino-prodígio já faz parte da memória dos meios de comunicação e está incorporado em definitivo ao universo batmaníaco. O rótulo de homossexual desvirtuou muito a imagem de Robin, sobretudo nos públicos que não acompanham as histórias em quadrinhos. Mas ele também é um personagem interessante.

Excluindo Batman, claro, qual personagem deste universo mítico você mais admira? Um herói? Um vilão?

Sou fã do Universo Batman no geral. Acho o mordomo Alfred um personagem cativante com aquele humor britânico, sempre com uma tirada genial. Ele é um verdadeiro herói, que atua nos bastidores, na retaguarda, discretamente. Fora do mundo da família do Morcego, sou profundo admirador dos Perpétuos, liderados por Sandman. Entre os vilões, Coringa ainda é o número um, apesar do avanço de Rã’s Al Ghul desde os anos 70. O Príncipe Palhaço do Crime ajuda a conhecer um pouco mais do drama existencial do herói Batman. O embate dos dois é sempre rico em significados.

No livro você escreveu um capítulo chamado Desvios onde fala sobre os momentos caricatos e de mau gosto no uso do personagem. Você acha que a indústria de entretenimento se valeria novamente destes artifícios na atualidade ou no futuro?

O risco existe, mas hoje é bem menor que há uma década atrás. O fiasco do filme Batman & Robin (1997) levou os executivos da Warner a repensar os projetos do personagem para a telona. Oito anos depois, os desvios se corrigiram com Batman Begins. O grande desvio gerado pela série de TV (1966), com a dupla dinâmica Adam West e Burt Ward, hoje é encarada como fenômeno da cultura pop e uma faceta debochada do universo do homem-morcego. Desvios sempre vão acontecer, sobretudo nas interpretações independentes. Mas é bom saber que os marcos centrais do homem-morcego estão cada vez mais estabelecidos: tormenta (traumas), solidão, medo (lutar contra ele e usá-lo a seu favor) e implacabilidade.

Quais os próximos projetos literários? Batman continuará sendo objeto de estudo?

Da mesma gaveta que saiu o Dicionário do Morcego existem dezenas de outros projetos que espero desenvolver ao longo da minha vida. Com entusiasmo, tempo disponível e sorte, gostaria de tocar esses projetos. Batman, de todo jeito, sempre será objeto de estudo. Tenho idéias de outras publicações sobre o personagem, só que de abordagem mais vertical, focada. As próximas edições do Dicionário, espero, devem ser ainda maiores e mais completas. A pesquisa mais geral sobre o universo Batman e da Batmania continuarão correndo por fora. Além disso, gostaria de reforçar os intercâmbios com os leitores. Minha curtição é saber mais sobre Batman, suas versões e os efeitos que ele deixa no público.

Inúmeros artistas são convidados a emprestar talentos para roteirizar histórias do personagem. Você escreve ou pretende escrever alguma saga para Batman?

Ainda não. Preciso acumular mais experiência para ousar entrar nesse terreno. Uma das maiores fontes de roteiros de qualidade para Batman nas várias mídias e de paródias sobre o herói está nos fãs. Há até um termo muito prestigiado hoje, o fanfiction, para descrever o trabalho criativo sobre certo personagem feito por fãs.

Bat-biblioteca

Alguns interessantes livros para consulta acadêmica ou curiosa sobre Batman, dentre outros já citados neste blog. Infelizmente não tenho todos eles e existem outros mais na Espanha e Estados Unidos. Sugestões de bat-bibliografia?

Galeria à céu aberto dos grafiteiros




Beco do Batman, uma travessa da Rua Girassol, São Paulo

Vozes por trás do longa animado


Lista de dubladores do DVD Batman: o Mistério da Mulher-Morcego

Batman/Bruce Wayne: Ricardo Juarez (Capitão Átomo em Liga da Justiça Sem Limites)
Alfred Pennyworth: Ayrton Cardoso
Carlton Duquesne: Júlio Chaves (Arqueiro Verde em Liga da Justiça Sem Limites e Irmão Sangue em Jovens Titãs)
Pingüim/Oswald Cobblepot: Márcio Simões (Chapeleiro Louco em Batman – A Série Animada, Pingüim em O Batman, Gladiador Dourado em Liga da Justiça sem Limites)
Rupert Thorne: Leonel Abrantes (1ª voz do Fera no 1º desenho dos X-Men, Charlie em As Panteras)
Kathy Duquesne: Mariana Torres (Ravena em Jovens Titãs, Summer em OC)
Comissário Gordon: Jorge Rosa (Chefe Rojas em O Batman)
Detetive Harvey Bullock: José Santacruz
Barbara Gordon: Iara Riça (Arlequina e Frida em Super Choque, Caçadora em Liga da Justiça sem Limites)
Roxanne “Rocky” Ballantine: Mabel Cezar (Comissária Barbara Gordon em Batman do Futuro, Julie Cooper em OC, Luluzinha)
Sonia Alcana: Cristiane Louise (Zatanna em Liga da Justiça Sem Limites)
Robin/Tim Drake: Thiago Ferreira
Bane: Luiz Carlos Persy (Lobo em Liga da Justiça, 2ª voz de Luthor em Liga da Justiça Sem Limites)
Kevin: José Luiz Barbeito (Arkady Duvall no episódio O Confronto de Batman – A Série Animada, Pantera em Liga da Justiça sem Limites)
Batwoman (antes de ter a idendidade revelada): Rita Lopes.

Fonte: batfã Luiz Oliveira

Bat-notícia pregressa


Batmóvel “Forever” é leiloado por US$ 350 mil
(15/09/2006)

Uma das unidades do Batmóvel usadas no filme Batman Eternamente (1995), que trazia o ator Val Kilmer na pele do homem-morcego, foi leiloada semana passada em Indiana, Estados Unidos. O novo dono é o advogado John O’Quinn, que desembolsou US$ 350 mil pelo exemplar. O carro, cujo estilo foi concebido pela designer Barbara Ling, pouco lembra o Batmóvel de estilo sombrio dos dois primeiros filmes (Batman e Batman, o Retorno). O modelo de Ling exibe estética orgânica, com inúmeros recortes na carroceria, simulando ossos de um esqueleto, e asas na parte traseira. Para acentuar ainda mais as intrincadas linhas do carro, o capô, as rodas e as laterais contam com iluminação azul fluorescente. As únicas semelhanças com os carros usados pelo Cavaleiro das Trevas anteriormente são a cabine, de formato arredondado, dividida em duas partes, e a presença de um propulsor a jato na parte traseira. O cockpit tem capacidade para duas pessoas e traz painel com vários botões, mostradores redondos com iluminação azul e vermelha, volante com o símbolo do morcego no centro e uma espécie de monitor de radar sobre o console central.
Fonte: Carsale