25 de setembro de 2008

Mil e uma utilidades

A seguir, trechos de matéria publicada na Mundo dos Super-Heróis.

Capa, máscara, luvas e... cinto. A peça final da seqüência de transformação de Bruce Wayne em Batman é muito mais do que um adereço no visual do herói. Presente no imaginário popular, o cinto de utilidades (Utility belt, no original em inglês) reúne um amplo e exclusivo leque de ferramentas para combater o crime. Os principais são o tradicional batarangue – um bumerangue estilizado na forma de morcego –, o controle remoto do batmóvel e a batcorda. Isso sem contar lanternas, medicamentos, máscaras contra gases e até um minicilindro de oxigênio.

O cinto de utilidades estreou nos gibis em 1939, na edição 29 da Detective Comics e já se apresentava como peça de destaque no figurino soturno do herói que, na época, andava armado. Com o tempo, o cinto virou parte da mitologia batmaníaca, assim como a batcaverna, o batmóvel e o batsinal. E engana-se quem acha que o Batman tem o seu. Robin, o menino-prodígio e outros membros mascarados da batfamília – Batgirl, Salteadora e Bat-Mirim – contam com versões personalizadas do cinto de utilidades. Até o Coringa, tomado pela inveja, apareceu com seu próprio cinto de utilidades na história The Joker’s Utility Belt, de 1952. Algumas vezes, o cinto de utilidades do Batman caía em mãos erradas e dava muita dor-de-cabeça ao vilão que tentava decifrar seus segredos.

Um provável antecedente para o batcinto aparece no filme The Bat, dirigido por Roland West e lançado em 1926, obra que serviu de inspiração para o cartunista Bob Kane criar Batman. Na fita, o ladrão que dá título à história se veste como o mamífero voador para aterrorizar inocentes na calada da noite, trazendo consigo uma série de ferramentas no cinturão. Com elas, ele destranca portas, sabota planos da polícia e escala paredes. O cinto clássico do Homem-Morcego é um modelo largo, amarelo, com fivela quadrada e vários cilindros e outros compartimentos em volta. Nos anos 80, em suas HQs Batman: Ano Um e O Cavaleiro das Trevas, o desenhista Frank Miller mudou o padrão do artefato, deixando-o mais parecido com o usado por soldados, trocando as divisórias em forma de tubos e caixas por bolsos afivelados, padrão utilizado pela maioria dos desenhistas atuais.

O tom sarcástico do seriado da TV dos anos 60 colocou diversos bat-utensílios na cintura do personagem. Nessa época aliás, surgiu a idéia exagerada de que o cinto de utilidades era a fonte dos “super-poderes” do Batman. Isso servia de base para a difusão dos muitos gadgets batizados pelo sufixo “bat”, como bat-escudo (dobrável), bat-repelente de tubarões e até uma simples bat-chave de reserva. Afora tantos antídotos, extintores de incêndio e tubos de ensaio para usos diversos, a maior parte do conteúdo do cinto de utilidades foi desenvolvido nos laboratórios da Wayne Tech, divisão de tecnologia do grupo Wayne, conforme o filme Batman Begins (2005).

No desenho animado The Batman (2004), o cinto de utilidades ganhou detalhes high-tech. Com design futurista, ele permite acessar qualquer máquina com simples toque e é de onde são sacadas com velocidade de ninja munições para efeitos pirotécnicos.