24 de outubro de 2008

70 anos do mito

Enquanto 2009 se aproxima, fico me perguntando o que algumas mentes com poder na mídia e no marketing estão maquinando idéias em torno do 70º aniversário de Batman, a ser comemorado no próximo dia 27 de março. Se a crise financeira mundial não atrapalhar muito, poderemos ver grandes lançamentos nacionais e internacionais, como coletâneas em quadrinhos e feiras dedicadas ao maior super-herói. Alguém aí conhece alguma agenda?

Apontamentos sobre o DVD animado

Logo mais irei postar aqui algumas análises sobre esse produto, o grupo de sofisticadas animações de Batman "O Cavaleiro de Gotham", lançado com pompa e em paralelo ao filme Batman - O Cavaleiro das Trevas.

Entrevista Portal Garagem Ermética


O excelente canal de vendas potiguar de quadrinhos e afins para todo o Brasil, o portal Garagem Ermética (www.ghq.com.br) me honrou com uma recente entrevista. Reproduzo abaixo o conteúdo da conversa com a simpática Milena Azevedo. Ela coordena o espaço especializado em HQs de Natal, que vende material exclusivo, revistas, álbuns e coleções com tiragem limitadas, publicações autografadas, títulos de artistas estrangeiros consagrados, e gibis produzidos por brasileiros que não são encontradas em bancas comuns.

1) Desde que idade você começou a ler e colecionar revistas, matérias e memorabilia do Batman? E por que esse herói chamou a sua atenção?

A minha geração aprendeu a gostar de Batman com o seriado da TV com Adam West e Burt Ward interpretando a Dupla Dinâmica. Entre os anos 70 e 80 também havia os desenhos animados do Homem-Morcego e dos Superamigos. Para completar, as revistinhas da Ebal e da Editora Abril, que colecionei até a adolescência. Esse meu hobby só voltou na Faculdade de Comunicação (PUC Minas), época do cinqüentenário de Batman e do lançamento do primeiro blockbuster da franquia, sob a batuta de Tim Burton. Para mim, o Morcegão sempre foi aquele mito poderoso mais próximo de qualquer mortal. Inteligência, tecnologia e dedicação são as suas armas.

2) Como foi o processo de coleta de dados e pesquisa minuciosa para escrever o Dicionário do Morcego, que de tão completo até assusta (no bom sentido, é claro)?

Na verdade, essa é uma habilidade comum a todo e qualquer fã. Colecionar informações sobre seu personagem ou artista preferido é um trabalho de longo prazo e movido a paixão, garantindo atenção e disposição redobradas. Não é por acaso que muito aficionado consegue reunir mais dados sobre seu objeto de culto do que até os próprios criadores ou detentores dos direitos autorais. Comigo não foi diferente. A idéia do livro existia desde os 17 anos, quando me correspondia com outros batmaníacos do Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Era para ser um trabalho coletivo, sendo eu o compilador. Sem a agilidade que temos com a internet hoje, o projeto não resistiu à segunda rodada. Retomei as listagens anos depois, na véspera do lançamento de Batman Begins, estimulado pelo amigo jornalista e escritor Gonçalo Júnior (autor de Guerra de Gibis e, sem exagero, maior autoridade sobre quadrinhos no Brasil). Quando estava pronto o texto, resolvi dar a marca definitiva de obra de fã: misturei os dados "oficiais" do personagem com várias curiosidades relacionadas a um personagem universalmente conhecido e que interfere no imaginário popular e nas culturas locais.

3) Após o fenômeno do filme Batman – Cavaleiro das Trevas e toda a reformulação do universo DC, com a Crise Final, o Batman está cada vez mais em evidência (tanto que até Neil Gaiman foi chamado para escrever o novo arco de histórias mensais do herói). Como você vê esse retorno à batmania?

Vejo as ondas de popularidade de Batman por dois ângulos, que não são necessariamente antagônicos. Como jornalista, entendo que muitos processos de produção de conteúdos e de bens culturais de consumo massivo são orquestrados pelo planejamento da indústria do entretenimento, tendo nesse caso particular a Warner, dona da marca Batman, no comando. O sucesso não ocorre por acaso: envolve investimento, estudos e grandes profissionais. Mas como batmaníaco considero o personagem um fenômeno permanente, com um acervo espetacular nesses quase 70 anos de história, onde estão verdadeiros clássicos dos quadrinhos (a base de tudo, sempre) e também noutras mídias. Antes a TV e nos últimos 20 anos o cinema tem desempenhado o papel central de deflagrador de batmanias, até porque atinge públicos amplos e distintos, a maioria de adultos não acostumados a comprar gibis. Assim, muitas outras fases de baixa e alta do Morcegão virão no futuro. Vida longa ao herói!

4) Como leitor, tirando as HQs mais famosas do Batman, tem alguma saga/graphic novel em particular que você curte? E quem mais marcou pra você como roteirista e desenhista do Morcegão?

O Filho do Demônio, escrita por Mike W. Barr e ilustrada por Jerry Bingham, foi muito marcante para mim e os leitores daquela época. Era um tempo de celebração dos 50 anos de Batman e nos empolgou muito a qualidade da edição brasileira e os desdobramentos sugeridos na graphic novel. Um herdeiro do herói tinha nascido? A pergunta não queria se calar e só foi respondida recentemente. Gostei muito de uma história publicada no Brasil nos anos 70 e desenhada por Neal Adams (o desenhista que primeiro resgatou Batman para as trevas) que se passava toda numa madrugada nos esgotos de Gotham City, sendo narrada por um radialista. Mas a imagem de Batman para mim nos anos 90 é a desenhada por Norm Breyfogle. Roteirista? Frank Miller, pelo clássico dos clássicos nos quadrinhos: O Cavaleiro das Trevas, que mudou o jeito de se fazer e se ler gibi.

5) Em que momento o jornalista especializado em questões econômicas gostaria de se trajar como o "Cruzado Embuçado"?

Sempre brinco com amigos e pessoas que me conhecessem pelo elo com Batman que só não me visto como o herói hoje porque estaria condenado a fazê-lo para o resto da vida, seja animando festas infantis, seja dando entrevistas na televisão. Virar combatente do crime também está longe de meus planos e da maioria dos civis. Admiro amigos meus que trajam-se com prazer como o Morcegão nos diferentes estilos de época. Mas não é a minha praia. Coleciono informações sobre o personagem e debato idéias relacionadas a ele. Talvez num baile a fantasia eu ceda ao manto do meu herói predileto, mesmo sem ocultar minha verdadeira identidade, o jornalista Sílvio Ribas. Na verdade, minha condição física tá mais pra Adam West do que Christian Bale.
Entrevista realizada por e-mail, no dia 20/10/2008.