23 de junho de 2009

Retrospectiva Tim Burton no MoMA


Centenas de desenhos, roteiros, marionetes, maquetes e vestuários originais darão a dimensão e a importância do talento do genial Tim Burton. As peças serão organizadas de maneira a compor uma retrospectiva da carreira do cineasta e escritor americano, a ser inaugurada no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) em 22 de novembro.

A exposição, organizada por Ron Magliozzi em colaboração com o próprio Burton, vai explorar parte da vida e toda a obra do artista: dos trabalhos que criou em sua infância e adolescência na Califórnia até as produções cinematográficas que lhe deram fama - essas também estarão presentes na exposição.

Os Fantasmas se Divertem (1988), Batman (1989), Edward Mãos de Tesoura (1990), O Estranho Mundo de Jack (1993), Planeta dos Macacos (2001), Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (2003) e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) são alguns dos 14 filmes que o museu exibirá na retrospectiva.

Cerca de 700 objetos, raramente ou nunca antes vistos, irão compor sua trajetoria de 27 anos de carreira. Entre as peças, desenhos e esculturas de inspiração surrealista, bem como material original produzido para seus filmes, como as cabeças dos extraterrestres de Marte Ataca! (1996) e os vestidos de época de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999). Além da mostra, que ficará aberta até 26 de abril de 2010, também estão programadas projeções de filmes que inspiraram Burton, como Frankenstein (1931) e Nosferatu (1922).

SERVIÇO

Tim Burton
November 22, 2009–April 26, 2010
Theater 1 Gallery
Theater 2 Gallery
Special Exhibitions Gallery, third floor
Museum Lobby

Fonte: www.terra.com.br

Batman invade niver de Ivete

O Impostor, personagem e quadro do programa Pânico na TV (Rede TV), conseguiu penetrar na festa de aniversário de Ivete Sangalo, realizada no último dia 30, em Salvador, vestido de Batman (a festa era à fantasia, o que facilitou o disfarce). O personagem, que não tem seu verdadeiro nome revelado, já "se convidou" para os maiores eventos do país, com a mesma cara-de-pau de sempre. Sua tática é a mesma: aparece bem arrumado, fala bem e procura se mostrar bem relacionado.

Batman, o filme, 20 anos

Sílvio Ribas/G1

Batman - o primeiro da mais bem-sucedida franquia das histórias em quadrinhos - foi lançado com grande estardalhaço nos Estados Unidos, em 23 de junho de 1989. Com orçamento de mais de US$ 30 milhões (elevadíssimo para a época), o filme recheado de ação e espírito gótico chegou às telonas de todo o mundo em plena comemoração dos 50 anos do maior herói da DC Comics. Dirigido por um Burton recém-saído de Os fantasmas se divertem e ainda relativamente pouco conhecido, o longa-metragem foi o primeiro do homem-morcego desde o filme para a TV, lançado em 1966.

Fãs de quadrinhos chegaram a desconfiar da superprodução, que tinha o baixinho calvo Michael Keaton no papel principal. Mas assim que o trailer chegou às salas de cinema não se falou mais em outra coisa no mundo pop. Estampado em camisetas, bottons, bonés, adesivos, lancheiras e dezenas de outros itens, o famoso (e renovado) logotipo de Batman se espalhou com velocidade pelos quatro cantos do planeta, num fenômeno que ficou conhecido como a segunda Batmania, rendendo US$ 750 milhões só em merchandising. O valor superou até os US$ 413 milhões que o blockbuster arrecadou nas bilheterias mundiais.

Depois de muita especulação, a Warner acertou a trilha com Prince e Jack Nicholson, de olho nos lucrativos royalties, terminou concordando em encarnar o vilão Coringa. As filmagens de Batman foram realizadas secretamente no estúdio Pinewood, próximo a Londres. Numa época em que mal existia internet comercial, dois rolos de filme foram roubados durante a produção, e um dos membros da equipe chegou a receber uma oferta (negada) para vender fotos de Nicholson como Coringa por 10 mil libras. Quando finalmente foi mostrado ao público, Batman chamou atenção por seu tom sombrio e a arquitetura gótica de Gotham City, algo bem diferente do que se conhecia da estética da série de TV homônima, interpretada por Adam West. Criador de um dos mais estilosos batmóveis, Anton Furst venceu o Oscar daquele ano pela direção de arte do filme.

Os maiores deslizes, no entanto, se deram no uniforme de Batman e em algumas derrapadas de roteiro. Muito emborrachada, a roupa do herói deixava endurecidos os movimentos do herói e seu rosto quadrado. Algo tosco se comparado ao visual mais recente dos filmes de Christopher Nolan. O script, por sua vez, transforma o Coringa em assassino dos pais de Bruce Wayne (Batman) e transforma o mordomo Alfred num dedo-duro da identidade do patrão.


Sobre o Coringa de Nicholson, muitos ainda acham que, apesar de toda a liberdade criativa tomada por Burton e o roteirista, Sam Hamm, que modificaram substancialmente alguns dos aspectos dos quadrinhos, o vilão do primeiro Batman é a melhor encarnação do Príncipe Palhaço do crime em todos os tempos. Especialista em viver papéis ensandecidos, o ator norte-americano conseguiu dosar na medida certa traços psicóticos do arqui-inimigo do homem-morcego com o humor típico do personagem das HQs.

Concordo plenamente com isso. Seu Coringa é cínico, violento e inescrupuloso, mas é também um sujeito carismático que sabe apreciar as artes e executar uns passinhos de hip hop anos 80 enquanto vandaliza as obras de uma galeria com boina e aquarela de pintor. O ator australiano Heath Ledger, morto em 2008, empolga mais nos dias de hoje. Mas vale a pena fazer o balanço entre o Coringa dos gibis e sua transposição para a telona. Na comparação numérica, o Batman de 1989 sai perdendo na disputa com o mais recente filme do personagem. Com US$ 1 bilhão arrecadado nas bilheterias mundiais, O Cavaleiro das Trevas é o quarto filme mais visto em toda a história do cinema. Mas os US$ 413 milhões feitos pelo filme de Burton o colocam na 98ª posição do ranking, à frente de todas as demais continuações da franquia.

Se Batman não tivesse rompido a resistência inicial dos fãs e dos desconfiados produtores de Hollywood, abrindo o cofre, provavelmente nenhuma de suas futuras sequências teria saído do papel. Foi graças a esse filme de duas décadas que as histórias em quadrinhos conquistaram definitivamente o cinemas e que desenhos como Batman: a série animada (1992) passaram a ser vistos por muitos marmanjos.

Mad Hatter by Tim Burton

Essas belas fotos, recentemente publicadas na Internet, não são de "Batman 3" (ou seria Batman sete?), mas até que poderiam ser. O Chapeleiro Louco interpretado por Johnny Depp no filme Alice no País das Maravilhas, dirigido pelo genial Tim Burton e ainda em produção, cairia no gosto do público como o bat-vilão de mesmo nome. Nessa sequência hipotética teria até a dupla de gêmeos Tweedlee Dee e Tweedle Dum, personagens de Lewis Carroll que também inspiraram inimigos do homem-morcego. Neste ano em que se completa 20 anos do clássico pop Batman, do mesmo Burton, vale a pena fazer tais associações. E é necessário aplaudir o gênio do ainda jovem cineasta, o mais criativo da atualidade. O Museu de Arte Moderna de Nova York dedica uma merecida exposição sobre sua carreira única.