24 de agosto de 2012

Enquete da Revista da Gol

A última edição da Revista da Gol publicou enquete sobre o melhor dos filmes de Batman anteriores ao atualmente em cartaz, o Cavaleiro das Trevas Ressurge. Participei do grupo de jurados, que inclui o apresentador João Gordo. A publicação de voo da segunda maior companhia aérea revelou, contudo, apenas alguns dos itens votados e não publicou as justificativas dos votantes. Coloco a seguir os detalhes de todos os meus votos. O que vocês acham? Concordam? Discordam? Por quê?


BATMAN

Melhor: Christian Bale (Antes de tudo, um ator de verdade. Ele se atirou no papel, deu a consistência dramática que merecia, além de ter uma apresentação compatível com a visão geral do herói).

Pior: George Clooney (O próprio admitiu que não levou o papel a sério e que, juntamente com o diretor, levou o projeto ao fracasso. A única credencial que tinha era o queixo quadrado que o personagem tem nos quadrinhos)

PERSONAGEM FEMININO

Melhor: Michele Pfeifer (Ela criou uma nova Mulher-Gato, ainda sem substituta até hoje. Combinou sensualidade exigida pelo papel com uma personalidade transtornada em boa medida, mesmo com os furos do roteiro)

Pior: Elle Macpherson (A modelo-atriz fez apenas um papel decorativo no trágico filme Batman e Robin, como namorada de Bruce Wayne. Entrou muda e saiu calada. Ainda bem)

VILÃO

Melhor: Coringa, de Jack Nicholson (Por mais badalada que tenha sido a interpretação de Heath Ledger, o premiado ator doidão foi o que mais se aproximou do espírito clown e sádico do Príncipe Palhaço do Crime)

Pior: Senhor Gelo, de Arnold Schwarzenegger (Tudo errado. Desde a escolha do ator até o figurino pitoresco. Foi um desrespeito a um personagem complexo, que merecia uma versão melhor, com mais cérebro e menos piadas e músculos)

DIRETOR

Melhor: Christopher Nolan (É o cara que ressuscitou o Morcego. Competente, dedicado e merecidamente aplaudido por todos os seus trabalhos, incluindo a sua trilogia do herói. Inovou, ousou e bateu recordes)

Pior: Joel Schumacher (Sua tentativa de dar novo direcionamento à franquia cinematográfica, menos sombria e mais nonsense, foi desastrosa e deixou o personagem alijado da telona por oito anos)

ENREDO

Melhor: Batman Begins (A missão de retomar a série de filmes passou por várias mãos, mas foi a aposta do diretor Christopher Nolan, juntamente com o seu irmão Jonathan Nolan e o roteirista de quadrinhos David Goyer que foi aceita. Deu certo, com a tônica de imprimir o máximo realismo possível à lenda, com uma história intrigante e séria)

Pior: Batman e Robin (Com muitas cores, neons e afetação conseguiu desagradar tanto fãs históricos quanto os de momento. Muito carnaval por nada, aliás por menos)

BATMÓVEL

Melhor: Batman (1989) e Batman Returns (1992) (O designer Anton Furst conseguiu criar o segundo mais lembrado Batmóvel da história, só perdendo pro classicão do seriado de Adam West, nos anos 1960. Um carrão)

Pior: Batman e Robin (1997) (Gelo seco, luzes coloridas e detalhes "orgânicos" tornaram o veículo grotesco, um carro alegórico que nenhuma escola de samba aceitaria)

“BRINQUEDINHO”

Melhor: Os visores embutidos na máscara que captam ondas eletromagnéticas de celulares para permitir enxergar entre paredes e outros obstáculos, de O Cavaleiro das Trevas (2008). (Muito engenhoso, moderno e ainda ajuda a "explicar" os "olhos totalmente brancos" das figuras mascaradas nos quadrinhos)

Pior: Batcartão de crédito, de Batman e Robin (Só serviu mesmo para fazer a pior piadinha das muitas do filme digno do nosso esquecimento).

BATSUIT

Melhor: O de Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) (O guarda-roupa da trilogia partiu do conceito da era Tim Burton, mas conseguiu evoluir no rumo do factível e do prático. As máscaras de borracha deixaram de inibir o movimento da cabeça e o resto do traje não parece músculos de mentirinha).

Pior: Batman e Robin, traje de combate no gelo (A parte sombria desaparece de vez no kit da última cena de luta, supostamente adaptada ao frio e à neve. Bumerangues brancos e fundos prateados? Argh!)

PERFIL
Com passagens pelo Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, A Tarde (BA), Brasil Econômico e Correio Braziliense, Sílvio Ribas já atuou como repórter, editor e coordenador. Hoje com 42 anos, metade dos quais no jornalismo, foi também assessor de imprensa, participou de coberturas internacionais e venceu os prêmios jornalísticos Fiat Allis, Abic, Caixa e Federação das Indústrias de Santa Catarina. É autor do livro Dicionário do Morcego (Flama Editorial, 2005) e co-autor de Formação & Informação Econômica (Summus, 2006), Vida Brasileira (Lazuli, 1998) e Sombras (Bizarras, 2007). Considerado um dos maiores conhecedores de Batman no país, ministra palestras e colabora com publicações especializadas e pesquisas acadêmicas sobre o tema. Seu blog dicionariodomorcego.blogspot.com é um dos mais acessados pelos batmaníacos brasileiros.