9 de abril de 2014

Bat-trajetória de sucesso

Fatos marcantes em três quartos de século de aventuras do popular herói da DC Comics O começo Nasce, no último dia de março de 1939, no número 27 do gibi Detective Comics, da National Comics (atual DC Comics), o vingador mascarado Bat-Man, o segundo super-herói, um ano após o Superman. Meses depois é revelado o trauma que motivou a sua trajetória: o assassinato dos pais por um ladrão quando tinha 10 anos. A promessa de combater o crime pelo vida inteira foi acompanhada pelo parceiro mirim Robin, adotado e apresentado em 1940. Anos 1940 e 1950 As histórias da dupla dinâmica mal começavam a colecionar fãs quando os heróis tiveram de enfrentar o seu maior inimigo da vida real, Fredric Wertham. Em 1954, o psiquiatra alemão publica Sedução dos Inocentes, livro infame que acusava os quadrinhos de serem má influência para as crianças, devido às imagens violentas e às incitações ao sexo. A acusação central do texto é a de que Batman e Robin formavam um casal gay, pecha viva até hoje. Anos 1960 Sock! Pow! Crash! O Homem-Morcego e as suas onomatopéias invadem a telinha com uma superprodução que logo se tornaria eterno fenômeno pop mundial. A série, estrelada pela dupla Adam West (Batman) & Burt Ward (Robin), levou, entre 1966 e 1968, cores e humor inteligente a um público de todas idades. A Batmania alavancou vendas de gibis e de inúmeros produtos licenciados, sem falar na popularização de símbolos e expressões usados até hoje. Anos 1970 Após as festivas décadas de 1950 e 1960, quando a maioria das histórias de Batman era fantasiosa, enfrentando monstros e seres alienígenas ao lado de Robin, os anos 1970 trouxeram Batman de volta às trevas. Liderado por artistas como Neal Adams e Steve Englehart, o movimento recria o vigilante solitário e sombrio. O tormento com a morte dos pais, o lado detetivesco e o paixões por belas mulheres marcam essa rica fase. Anos 1980 Em 1989, ano do cinquentenário de Batman, a batmania global voltou, preparada por gibis clássicos como O Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal. Com o filme de Tim Burton à frente, a onda de marketing sem paralelos na história e o personagem invadiu corações e mentes junto com inúmeros produtos licenciados. O sucesso cinematográfico levou a três sequências, até 1997, quando a versão bufa de Joel Schumacher fracassa e tira o herói da telona por oito anos. Anos 1990 e 2000 Agora, reinou com facilidade as premiadas séries animadas de Bruce Timm, iniciadas em 1992 e que rendem lucros e fãs até hoje. Só neste século, Batman reencontra o sucesso nos quadrinhos, no cinema e nas mídias digitais. O ponto alto da década passada foi o lançamento de Batman Begins (2005), de Chris Nolan, um trunfo cinematográfico rico em realismo e que rendeu a trilogia finda em 2012, com gordas bilheterias e efusivos elogios de público e crítica. PRESENTES DE ANIVERSÁRIO Veja o que a Warner e a DC Comics prepararam para comemorar a longa vida do Morcegão Logo da festa – Para marcas as celebrações dos 75 anos de Batman em todo o mundo, a DC criou uma logomarca especial, lançada no fim do mês passado. Gibis especiais – Ao longo do ano, a DC lançará edições comemorativas, incluindo a recente Detective Comics 27 revivendo a revista de estreia de Batman em 1939. Título novo – A partir deste mês, a DC publica novo título, Batman Eternal, com capas alternativas planejadas para a convenção quadrinística de San Diego, em julho. Dia do herói – A DC se aliou a milhares de livrarias e bancas nos EUA para celebrar o Batman Day, em 23 de julho. Cada local oferecerá gratuitamente aos fãs um gibi dele. Exposição de arte – A convite da Warner, o designer Asher Levine e outros 19 artistas criaram capas e capuzes baseados no uniforme de Batman, para futura exposição. Santa série, Batman! – A Warner presenteará os fãs com vários lançamentos para home vídeo, incluindo a lendária série de tevê Batman, de 1966. Super Cartoons – Outro lançamento esperado é o da animação Son of Batman, em 6 de maio, nos EUA, e Assault on Arkham, previsto para o meio do ano. Blockbuster revisitado – O filme Batman, de Tim Burton, ganhará uma edição especial em DVD e Bluray, para festejar seu 25º aniversário. Mais animações – A Warner lançará este mês duas novas animações curta-metragem sobre o universo Batman, produzidas por Bruce Timm (passado) e Darwyn Cooke (futuro). Nova série – Gotham é a nova série da Warner para a Fox, que explorará a origem do comissário Gordon e dos maiores vilões de Batman, além da juventude de Bruce Wayne. No console – O Ano do Morcego será marcado também por mais um esperado lançamento do game da série Batman: Arkham Knight, um dos preferidos de jogadores e crítica. Duelo do século – No ano do 75º aniversário de Batman, avança a produção do mais esperado filme de 2016, enfocando o embate do Cavaleiro das Trevas com Superman. Onda do marketing – Diversos produtos licenciados vão celebrar o aniversário do Batman com edições especiais e limitadas, desde brinquedos até camisetas. Fonte: www.batman75.com

Batman, 75

O que tem em comum o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, o ativista mascarado Eron Melo, tornado celebridade com os protestos populares no Rio de Janeiro, e o colecionador de brinquedos Márcio Marques? A associação dos seus nomes ao herói dos quadrinhos americano Batman. O elo que une esses três brasileiros comemora 75 anos desde o último dia 30, com uma série de eventos e homenagens organizados pela sua editora, a DC Comics, e pela dona dela, o grupo Warner Bros. (veja lista). A bem sucedida trajetória do Homem-Morcego (veja quadro) conseguiu torná-lo um ícone universal, tão facilmente reconhecido em qualquer parte do planeta quanto Papai Noel. Para seus milhões de fãs, sua façanha é, contudo, ainda maior, alcançando o posto de produto cultural multimídia e mito moderno. Tudo começou no fim de abril de 1939, quando foi publicada The Case of the Chemical Syndicate, a primeira história do então chamado Bat-Man. Desenhado pelo jovem Bob Kane e escrita pelo parceiro oculto dele, Bill Finger, a primeira de inúmeras aventuras acaba com a morte do vilão em um túnel de ácido. Uma origem violenta que foi anulada e revivida nos anos seguintes. Um ano depois da estreia, Batman ganhou revista própria, já acompanhado do parceiro mirim Robin e dos primeiros membros da ampla galeria de inimigos famosos, como o pior deles, Coringa, e a sua eterna paixão Mulher-Gato. De lá para cá, uma obra coletiva de centenas de artistas em torno de Batman criou um vasto universo de lugares fictícios, figuras amigas e rivais do protagonista e uma penca de símbolos que despertam a curiosidade de leigos e estudiosos. Nessa lucrativa seara estão desde o Batmóvel, carro mais conhecido da cultura pop, e expressões como dupla dinâmica. Para celebrar três quartos de século do Cavaleiro das Trevas, também conhecido como “o maior detetive do mundo” e “campeão de Gotham”, a DC/Warner anunciou com pompa a abertura do Ano do Morcego no fim de março, com um site comemorativo (www.batman75.com) e um perfil no Facebook que recebeu 12 milhões de curtidas apenas na primeira semana. Enquanto não chega à telona o primeiro encontro em blockbusters de Superman e Batman, agora na pele polêmica de Bem Affleck, previsto para estrear no verão americano de 2016, dá-lhe animações, games e gibis especiais. Son of Batman, o próximo longa animado da Warner/DC depois de Justice League: War, ganhou um clipe com cenas inéditas. Entre seus dubladores está a atriz brasileira Morena Baccarin, que faz a voz da sensual vilã Talia al Ghul. O filme conta a história do surgimento de Damian, filho do alterego do Morcegão, Bruce Wayne, com ela. O filme sai em 6 de maio nos Estados Unidos e, no segundo semestre, virá a superprodução em cartoon Assault on Arkham. Para o advogado carioca Márcio Marques, dono de uma das cinco maiores coleções de quadrinhos e objetos inspirados em Batman do mundo, o sucesso do seu super-herói preferido está no fato de ser uma pessoa “comum”, sem superpoderes, mas que quer ser um ser humano melhor, tirando forças da dor de suas perdas trágicas. “Ele vai aos extremos para alcançar esse objetivo. E ainda é um personagem totalmente adaptável a qualquer época, a qualquer língua, a qualquer costume, sendo metamórfico sem perder a essência”, observou. Principal especialista brasileiro da série de tevê clássica Batman e autor de Sock! Pow! Crash”, Jorge Ventura lembra que seu fascínio pelo personagem vem desde a infância, sem se importar qual a versão. “O fato de ele experimentar esta gangorra de emoções e sentimentos diários, com sede por justiça, em um mundo socialmente tão desigual e violento, faz de Batman um pouco o reflexo de cada um de nós”, filosofou. “Geração após geração, ele transcendeu o tempo e renovou seu público”. Renato Araújo, presidente do maior fã clube de Morcegão do país, o Batbase, contou que o mundo do herói dos gibis o levou ao colecionismo sem perceber, onde está há mais de 25 anos. Além do fato de não ter superpoderes, Batman chamou sua atenção pela obstinação por Justiça, mas sem agir como os vigilantes que exterminam criminosos. “É claro que seus brinquedinhos, como o Coringa de Jack Nicholson chamou suas ferramentas no filme de 1989, chamam muito a atenção de todos, de crianças aos mais velhos”, confessou. “Mas uma das coisas que emprego em minha vida inspirado nele é sempre ser justo com as pessoas e me manter forte para o que der e vier”, acrescentou. Eron, o Batman dos Protestos, revelou em recente entrevista ao blog Dicionário do Morcego, dedicado aos fãs brasileiros do personagem, que sua máscara é “um símbolo de luta contra a corrupção e a injustiça”. “Não é pelo anonimato. Nem todo mascarado é vândalo", protestou o protético, que chegou a ser detido por descumprir a lei proibindo cobrir o rosto em manifestações do Rio. O Batman criado por Kane e Finger é bem diferente do que conhecemos hoje. É uma figura multifacetada, que reúne histórias antológicas e fracas, mas é cada vez mais atraente aos batmaníacos, grupo que inclue até um rabino americano, Cary Friedman. (continua no post seguinte) OBS: versão ampliada de texto publicado na edição de hoje do Correio Braziliense